Dia das crianças: como surgiu

Sabe aquelas histórias bem dramáticas, com um ensinamento no final, que combinam bem com as datas comemorativas? Pois é, sinto lhe informar que o dia das crianças não surgiu assim. Certo mas foi como e porque dia 12 de outubro? Porque não 27 de setembro, dia de São Cosme e Damião ( padroeiro das crianças caso não se lembre)? Porque não em junho como na Albânia, ou novembro como no Canadá? O fato é que cada lugar comemora em um dia diferente e às vezes até por razões diferentes.

Vamos então fazer uma pequena volta no tempo para entender melhor como o dia das crianças surgiu aqui no Brasil. Há muitos anos, lá em 1923, o Rio de Janeiro foi a cidade sede do 3° Congresso Sul Americano da Criança, que discutia formas de proteção à criança. No ano seguinte, aproveitando o calor do evento, o deputado federal Galdino do Valle Filho elaborou um projeto de lei que estabelecia o dia 12 de outubro como data comemorativa do dia das crianças.
Como você pôde bem perceber, a criação do Dia das Crianças foi uma sacada com teor político e sem romantismos. Tá, mas e o marketing de comércio que todo mundo fala? É real? Onde está? Está em 1955, 31 anos após a consagração da data. Até então o costume de celebrar a data não tinha emplacado, mas numa bela demonstração de como fazer publicidade, a marca de brinquedos Estrela ( sim, a da boneca Susi) criou a campanha “Semana do Bebê Robusto”, para promover as vendas de seus produtos. Assim, surgiu a semana da criança, que despertou outras marcas de brinquedos a propagarem a campanha de vendas.
Mas quatro anos mais tarde, em 1959, a UNICEF ( Fundo das Nações Unidas para a Infância) estabeleceu o dia 20 de novembro para comemorar o Dia das Crianças. Essa data foi escolhida porque foi nela em que se oficializou a Declaração dos Direitos da Criança, valendo- se de uma série de direitos básicos que toda criança deve ter. É por isso que em vários lugares a data é celebrada em 20 de novembro.
Por mais que o surgimento da data tenha um viés político e comercial, vale utilizá-la para refletirmos sobre como as crianças estão crescendo, se desenvolvendo e sobretudo, qual a nossa responsabilidade no futuro delas. A Academia Americana de Pediatria divulgou uma cartilha em agosto afirmando a importância das brincadeiras na infância, frisando que o incentivo é, inclusive um papel do pediatra também. O documento não fala sobre brincadeiras complexas, mas em promovê-las com utensílios domésticos comuns que as crianças podem descobrir e explorar, como colocar colheres e recipientes de plástico no chão e bater, para ver o que a criança faz com eles.
O pediatra e homeopata Moises Chencinski afirma: “Brincar é um dos jeitos que elas aprendem e o modo como elas se desenvolvem. É importante entender como todos nós, pediatras, e especialmente os pais, podemos encorajar a brincadeira”.Promover atividades lúdicas é importante porque nesse momento elas também estão se desenvolvendo. É nessa hora que as crianças estimulam suas habilidades sociais e emocionais, cruciais para quando elas crescerem e tiverem que lidar com as dificuldades do mundo adulto.
“Uma ‘receita para brincar’ que eu poderia prescrever aos pais, no final de uma consulta, é apenas dizer: confie em seu senso comum. Como você pode compartilhar um pouco de alegria com seu filho enquanto ele está explorando o mundo? O objetivo não é realmente validar o que eu acho, mas liberar os pais que estão se sentindo pressionados por uma cultura que diz não à brincadeira, uma cultura que diz que as crianças precisam ter videogames especiais, um iPad, ou ainda, precisam ter cada minuto de tempo estruturado para ‘vencer na vida’”, completa o pediatra Moises Chencinski.
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