Sofreu Violência? Casa para mulheres

Essa semana saíram várias matérias falando sobre uma nova pesquisa do Ipea ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre a eficiência do sistema judiciário Brasileiro acerca da violência contra mulher. Dentre os dados coletados, está o assustador número de quantos casos ficam sem resolução; apenas 1 em cada 3 são resolvidos e só em 2017 tinham quase um milhão de processos relacionados à violência doméstica.
Além de evidenciar as falhas da justiça brasileira, a pesquisa ressalta o quanto esse assunto ainda precisa ser discutido e como a igualdade de gênero está bem distante. Todo esse cenário de desigualdade piora quando a mulher não tem ajuda, não sabe como prosseguir diante de um relacionamento abusivo, por exemplo, ou quais medidas legais deve tomar para denunciar a violência.
São nessas circunstâncias que estão apoiados os ideais da Ayne Casa de Cultura. O nome Ayne vem de Ainé, deusa celta do amor e da fertilidade,um lugar feito para ajudar e acolher mulheres que sofreram, ou passam por violências, realizando uma série de atividades dedicadas à elas.

Simone Lima, que é a idealizadora do projeto se inspirou na própria história para se solidarizar com outras mulheres. Queremos oferecer possibilidades para as mulheres que queiram descobrir, desenvolver e praticar seu pleno potencial, sobretudo aquelas que enfrentam ou enfrentaram, em suas trajetórias de vida, assédios, separações traumáticas, constrangimentos, violência e abusos dos mais diversos tipos, tanto físicos quanto emocionais, e até mesmo financeiros”, resume a fundadora da casa.
Localizado na cidade de São Paulo, próximo ao Parque da Água Branca, o sobrado tem cerca de 450m² e foca em dar ferramentas para o recomeço dessas mulheres ou de qualquer gênero que se identifique com estas questões. Lá ocorrem encontros em grupos, workshops, palestras, práticas, experiências e cursos.
“Nossa intenção é ser um local de referência e confiança para o fortalecimento das mulheres”, reforça Simone Lima. Para tanto, a Ayne disponibiliza serviços de extrema importância como assessoria jurídica e financeira, que esclarecem sobre os direitos, reparação de danos e restauração de relações, além de apoio psicológico com a realização de encontros com grupos de mulheres que vivenciaram alguma questão traumática. “Acreditamos que todas as pessoas e, em especial, as mulheres, devem reconhecer seus direitos e serem tratadas de forma justa, em qualquer situação”, diz Simone.
A fundadora conta que a ideia de fundar a casa surgiu a partir de uma conversa com uma amiga- que superou sozinha as dificuldades de um relacionamento abusivo- e também de suas próprias experiências pessoais, após o término de um casamento de mais de 20 anos. Para ela, essa atitude foi o seu recomeço.
“Tudo se torna mais fácil quando temos com quem contar. Todos nós passamos por momentos difíceis, mas sabemos que a vida das mulheres é particularmente mais cheia de percalços e temos sempre mais a comprovar. Tantas vezes é complicado encontrar forças para seguir adiante, mas se ao lado estiver quem acredita em nós, podemos recomeçar de maneira mais fácil, com mais prazer”, comenta Simone Lima.
A fundadora ainda acrescenta que “dentro desta casa queremos que as mulheres encontrem esses amigos que as ouçam e que possam dar uma palavra, advogados que as orientem para que não se sintam injustiçadas, psicólogos que as auxiliem no encontro de estrutura para andar com os próprios pés e orientadores financeiros que as ajudem a programar sua independência”.
A Casa de Cultura Ayne, presta vários tipos de serviços, dentre eles, jurídicos com profissionais e atendimentos personalizados para cada pessoas, assistência médica e psicológica, com especialistas que atendem diretamente na casa, facilitando os processos para o bem estar físico e emocional. Além disso, há assessoria financeira para auxiliar nos planejamentos, investimentos e recuperação financeira pessoal.
Com relação aos investimentos, a organização da Casa fala que não há uma tabela de valores fechada. Alguns encontros de troca e compartilhamentos de experiências são gratuitos. As terapias em grupos custam R$50,00 e orientações com advogados podem custar até R$500,00.

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