Outubro Rosa: saiba mais…

Segundo um estudo do Instituto Nacional de Câncer( INCA), estima-se que entre este ano de 2018 e 2019, aparecerão 59.700 novos casos de câncer de mama no Brasil. A maioria dos casos ocorre entre mulheres de 55 e 64 anos. Os dados reforçam a necessidade de se cuidar e sobretudo incentivar e apoiar campanhas como Outubro Rosa. Por isso, vamos esclarecer desde a doença em si, até os direitos que a mulher tem quando estiver em tratamento.

Como já estamos praticamente na metade de outubro, vamos aproveitar a época da campanha e esclarecer mais sobre essa doença, que quando diagnosticada a tempo tem 95% de chance de cura. A ginecologista Dra Ana Carolina Lucio Pereira, conversou com a gente e falou um pouco mais sobre a doença, cuidados e fatores que podem desencadear o câncer de mama.
A primeira questão que a Dra. Ana Carolina esclarece é sobre os pequenos sintomas que podes surgir. Segundo ela, os nódulos podem ser palpáveis após 1cm de diâmetro, mas é identificado com mais facilidade pelo profissional. Como é uma doença silenciosa, é um pouco mais difícil identificar bem no início, por isso exames laboratoriais são importantes. Mas, em alguns casos, podem acontecer algumas alterações mais perceptíveis, como mudanças de coloração e textura da pele, como também sair um líquido clarinho ou até com um pouquinho de sangue, pelos mamilos.
Quando falamos que o câncer tem relação com o autocuidado, isso se insere em alguns aspectos. O primeiro é no seu dia a dia; o tabaco, álcool, estresse e alimentação rica em gorduras são fatores que podem ajudar a desencadear o câncer de mama. Por isso é muito importante manter uma alimentação saudável e também praticar atividade física regularmente. A ginecologista ainda ressalta que a imunidade está totalmente ligada à doença e que em casos como depressão e ansiedade, ela pode diminuir e isso favorecer o descontrole celular, possibilitando o aparecimento da doença.
Ainda comentando sobre os cuidados consigo mesma, é muito importante fazer o autoexame. A médica explica direitinho como esse procedimento deve ser feito. O primeiro passo é fazer a palpação, a Dra. Ana Carolina fala que ela deve ser realizada nos primeiros dias após o início do ciclo menstrual. Para facilitar o toque, ela indica fazer com as mamas ensaboadas, para os dedos deslizarem sem dificuldade. Passe por toda região, em todas as direções, se atentando para possíveis nódulos ou alterações na pele.
O autoexame é sim muito importante, mas é difícil identificar os pequenos nódulos. É aqui que entra então a mamografia, um exame feito com raio x, realizado exatamente para identificar nódulos, calcificações e caroços que o exame clínico não consegue captar. No geral, ela deve ser feita anualmente a partir dos 40 anos. Mas, a médica faz um adendo: se você tem alguém próximo na família( com parentesco de primeiro grau), que teve câncer de mama, você deve então fazer o exame 10 anos antes da idade que a sua parente teve a doença. Pra ficar mais claro: se sua irmã, mãe, tia, teve com 30 anos, você deve começar a fazer os exames anualmente a partir dos 20.
E acredito que uma curiosidade que muitas pessoas podem ter é se o câncer de mama também pode aparecer em homens. A resposta é sim. Mas, é uma probabilidade muito pequena, já que ele é 100 vezes mais comum entre as mulheres. É difícil saber exatamente o que faz o câncer de mama aparecer, mas além do fator genético, que é muito determinante, é válido lembrar de cuidar da saúde. Repense seus hábitos, pratique exercício físico, se alimente bem e procure levar uma vida tranquila, sem grandes estresses, pois esses fatores, podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

O tratamento varia de acordo com o estágio em que o câncer está, podendo ser feito com radioterapia, quimioterapia e cirurgia. Geralmente, são processos demorados, exigindo repouso e afastamento das atividades rotineiras do paciente. Nessa fase, é importante que as mulheres saibam que elas têm direitos garantidos pelo INSS. O especialista em direito previdenciário, Átila Abella, explicou para a Ella Fm quais são esses auxílios.
Auxílio – doença
Segundo o advogado, a Constituição Federal garante direitos a pessoas com todo tipo de câncer e tumores. O benefício “auxílio-doença” é dado para quem estiver impossibilitado de trabalhar temporariamente. De acordo com Átila, quando comprovado o quadro clínico do paciente, ele receberá mensalmente o “auxílio- doença”, mas o especialista lembra que a pessoa tem fazer o pedido desse benefício o quanto antes.
Aposentadoria por invalidez
Para as pacientes que passam pela cirurgia de retirada das mamas e que ficam impossibilitadas de trabalhar de forma permanente, sem possibilidade de reabilitação, é possível solicitar a aposentadoria por invalidez. “Para ter direito ao benefício, a segurada precisa ter iniciado as contribuições antes do diagnóstico da doença, e pode solicitar a aposentadoria por invalidez independentemente de ter feito as 12 contribuições pré-estabelecidas pelo INSS”, afirma o especialista.
Saque do FGTS e PIS
Portadores do câncer de mama, ou pessoas que tenham uma dependente com a doença, também podem resgatar a quantia disponível no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e nas quotas do PIS/PASEP. “Basta a segurada apresentar cartão do cidadão ou o número do PIS, a carteira de trabalho e um atestado médico válido por 30 dias, com o histórico da doença, estágio clínico atual e a cópia dos laudos. Para os casos de dependentes com a patologia, também é exigido um documento que confirme a ligação com a paciente”, explica Átila.
Auxílio acompanhante
Além desses benefícios a pessoa que necessita de um cuidador, pode solicitar também o adicional (majoração) de sua aposentadoria para auxiliar no custo com o acompanhante. Esse acréscimo é de 25% no benefício pago pelo INSS vitalício e é vitalício.
Isenção de IR
A gravidade do câncer de mama também isenta, por lei, as portadoras da doença de arcar com o Imposto de Renda, mesmo em caso de pacientes que já recebam benefícios da Previdência Social. “Como as pessoas com HIV, cardiopatas graves e parkinsonianos, entre outros, elas têm direito a essa isenção, desde que recebam uma aposentadoria, pensão ou reforma”, finaliza a advogado.
Como entrar com o pedido do benefício?
Para requerer todos os auxílios, a paciente precisará passar por um exame de perícia no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por ser um processo bem burocrático, o ideal é ter a ajuda de um especialista no assunto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *